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sábado, 17 de janeiro de 2015

POETIZANDO COM MÚSICA NO DOMINGO

Queridos leitores.

Faz um tempão que não posto nada. Estou ainda em ritmo frenético, fechando ano letivo, etc. etc.

Passei rapidinho para presenteá-los com dois poemas: um de Mário Quintana e outro de Pablo Neruda e, de quebra, uma música de Tânia Mara para fechar de forma grandiosa.

Vamos primeiro com Quintana:

Presença

É preciso que a saudade desenhe tuas linhas perfeitas,
teu perfil exato e que, apenas, levemente, o vento
das horas ponha um frêmito em teus cabelos…
É preciso que a tua ausência trescale
sutilmente, no ar, a trevo machucado,
as folhas de alecrim desde há muito guardadas
não se sabe por quem nalgum móvel antigo…


Mas é preciso, também, que seja como abrir uma janela
e respirar-te, azul e luminosa, no ar.
É preciso a saudade para eu sentir
como sinto – em mim – a presença misteriosa da vida…
Mas quando surges és tão outra e múltipla e imprevista
que nunca te pareces com o teu retrato…
E eu tenho de fechar meus olhos para ver-te.

                                                       ( Mario Quintana )


Agora o poema de Neruda 

Já és minha. Repousa com teu sonho em meu sonho.
Amor, dor, trabalho, devem dormir agora.
Gira a noite sobre suas invisíveis rodas
e junto a mim és pura como âmbar dormido…
Nenhuma mais, amor, dormira com meus sonhos…
Irás, iremos juntos pelas águas do tempo.
Nenhuma viajará pela sombra comigo, só tu.
sempre viva. sempre sol… sempre lua…
Já tuas mãos abriram os punhos delicados
e deixaram cair suaves sinais sem rumo…
teus olhos se fecharam como
duas asas cinzas, enquanto eu sigo a água
que levas e me leva.
A noite… o mundo… o vento enovelam seu destino,
e já não sou sem ti senão apenas teu sonho…

                                                        ( Pablo Neruda )



E, para concluir, o vídeo de Tânia Mara: Cuida de mim.



Feliz domingo, feliz vida.

CARPE DIEM!!!

sábado, 20 de setembro de 2014

DÁ-LHE POESIA!

Boa noite, bom dia, boa tarde - nessa ordem, pois agora é noite aqui...rss.

Depois de alguns dias na correria, eletrizada, volto a postar e, dessa feita, com poesias para alimentar a alma.



Selecionei algumas poesias pra vocês se deliciarem e me acompanharem na leitura deleitosa de autores como Paulo Leminski, Pablo Neruda e Carlos Nejar.


O que quer dizer

O que quer dizer diz.
Não fica fazendo
o que, um dia, eu sempre fiz.
Não fica só querendo, querendo,
coisa que eu nunca quis.
O que quer dizer, diz.
Só se dizendo num outro
o que, um dia, se disse,
um dia, vai ser feliz.




                 Amar você é coisa de minutos…
                                       Paulo Leminski

                   Amar você é coisa de minutos
                   A morte é menos que teu beijo

Tão bom ser teu que sou
Eu a teus pés derramado
Pouco resta do que fui
De ti depende ser bom ou ruim 
Serei o que achares conveniente
Serei para ti mais que um cão
Uma sombra que te aquece
Um deus que não esquece

 Um servo que não diz não
      Morto teu pai serei teu irmão
      Direi os versos que quiseres
      Esquecerei todas as mulheres
    Serei tanto e tudo e todos
      Vais ter nojo de eu ser isso
 E estarei a teu serviço
  Enquanto durar meu corpo
      Enquanto me correr nas veias
      O rio vermelho que se inflama
     Ao ver teu rosto feito tocha

 Serei teu rei teu pão tua coisa tua rocha
                        Sim, eu estarei aqui


       
 NOSSA SABEDORIA É A DOS RIOS

                          Carlos Nejar

Nossa sabedoria é a dos rios.
Não temos outra.
Persistir. Ir com os rios,
onda a onda.

Os peixes cruzarão nossos rostos vazios.
Intactos passaremos sob a correnteza
feita por nós e o nosso desespero.
Passaremos límpidos.

E nos moveremos,
rio dentro do rio,
corpo dentro do corpo,
como antigos veleiros.




SE VOCÊ ME ESQUECER
                      Pablo Neruda

Quero que você saiba uma coisa. 
Você sabe como é: 
Se eu olhar a lua de cristal, pelo galho vermelho 
do lento outono em minha janela, 
Se eu tocar, próximo ao fogo, a intocável cinza 
ou o enrugado corpo da lenha, 
tudo me leva a você, 
como se tudo o que existe: perfumes, luz, metais, 
fossem pequenos barcos que navegam 
rumo às tuas ilhas que me esperam. 

Bem, agora, 
se pouco a pouco você deixar de me amar 
eu deixarei de te amar, pouco a pouco. 

Se, de repente, você me esquecer, 
não me procure, 
pois já terei te esquecido. 

Se você considera longo e louco 
o vento das bandeiras 
que passa pela minha vida, 
e decide me deixar na margem do coração 
em que tenho raízes, 
lembre-se que neste dia, 
nesta hora, 
levantarei meus braços 
e minhas raízes sairão a buscar outra terra. 

Mas 
Se cada dia, 
cada hora, 
você sentir que é destinada a mim 
com implacável doçura, 
se cada dia uma flor 
escalar os teus lábios a me procurar, 
ah meu amor, ah meu próprio eu, 
em mim todo esse fogo se repete, 
em mim nada se apaga nem é esquecido 
meu amor se nutre no seu amor, amada, 
e enquanto você viver, estará você em seus braços, 
sem deixar os meus...


Vivo cada dia como se fosse cada dia.
Nem último, nem primeiro__ o único

Pablo Neruda

Espero que tenham gostado e desejo a todos uma semana abençoada.

CARPE DIEM!!!

sábado, 6 de julho de 2013

ENFIM...SÁBADO!

Bom dia, boa tarde, boa noite.

Aqui, chuva e frio, bom pra ficar debaixo dos cobertores relaxando...rsss. 

Mas, aproveitei para deixar pra vocês uma poesia de PABLO NERUDA e dois vídeos da música CUIDA DE MIM de TÂNIA MARA

O primeiro é com a própria Tânia e o segundo foi editado por Luana Câmara.

Curtam bastante o final de semana, aproveitem pra ficar com a família, passear, relaxar, realizar coisas boas e estar sempre perto de Deus.

CARPE DIEM!!!






domingo, 26 de agosto de 2012

PABLO NERUDA

Quero presenteá-los com um lindo poema do poeta chileno PABLO NERUDA.

Leiam o poema, vejam o vídeo...muito lindo! Vocês também podem assistir ao filme "O carteiro e o poeta" e ler muitas obras desse escritor engajado politicamente e ma-ra-vi-lho-so.

Confiram:


Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Escrever, por exemplo: "A noite está estrelada,
e tiritam, azuis, os astros lá ao longe".
O vento da noite gira no céu e canta.

Posso escrever os versos mais tristes esta noite.

Eu amei-a e por vezes ela também me amou.
Em noites como esta tive-a em meus braços.
Beijei-a tantas vezes sob o céu infinito.

Ela amou-me, por vezes eu também a amava.

Como não ter amado os seus grandes olhos fixos.
Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Pensar que não a tenho. Sentir que já a perdi.

Ouvir a noite imensa, mais imensa sem ela.

E o verso cai na alma como no pasto o orvalho.
Importa lá que o meu amor não pudesse guardá-la.
A noite está estrelada e ela não está comigo.

Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe.

A minha alma não se contenta com havê-la perdido.
Como para chegá-la a mim o meu olhar procura-a.
O meu coração procura-a, ela não está comigo.

A mesma noite que faz branquejar as mesmas árvores.

Nós dois, os de então, já não somos os mesmos.
Já não a amo, é verdade, mas tanto que a amei.
Esta voz buscava o vento para tocar-lhe o ouvido.

De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos.

A voz, o corpo claro. Os seus olhos infinitos.
Já não a amo, é verdade, mas talvez a ame ainda.
É tão curto o amor, tão longo o esquecimento.

Porque em noites como esta tive-a em meus braços,

a minha alma não se contenta por havê-la perdido.
Embora seja a última dor que ela me causa,
e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo.
                                                     Pablo Neruda

 

Espero que tenham gostado.

CARPE DIEM!!